Neste artigo
- Por dentro e por fora, sem tecniquês
- As três reações possíveis
- Onde isso fica diferente para negócio digital
- Se você está no Simples, respire
- O que fazer antes de mexer no preço
- Perguntas frequentes
- O IVA por fora significa que meu preço vai subir automaticamente?
- Quando eu preciso decidir isso?
- Estou no Simples. Preciso reprecificar?
- Vender para empresa muda a precificação?
- O crédito realmente compensa o aumento?
O IBS e a CBS são cobrados por fora do preço, diferente do PIS, da Cofins e do ISS, que hoje estão embutidos no valor que você anuncia. Na prática isso significa que a mesma etiqueta de R$ 2.000 passa a representar uma receita líquida menor para você, a não ser que você faça alguma coisa a respeito. Existem três reações possíveis, e a diferença entre elas não é matemática: é de conversão.
Por dentro e por fora, sem tecniquês
Hoje, quando você cobra R$ 2.000 por uma mentoria, o ISS e o PIS/Cofins já estão dentro desse número. Você recebe R$ 2.000 e recolhe uma parte depois.
No modelo do IVA, o imposto é calculado sobre o preço e somado a ele. A lógica do sistema é que o preço anunciado seja o seu, e o tributo apareça destacado por cima. É o mesmo raciocínio da etiqueta americana, onde o sales tax entra no caixa.
O detalhe é que no varejo brasileiro ao consumidor final a prática é anunciar o valor final, com tudo dentro. Ou seja: a mudança conceitual acontece na apuração, mas quem vende para pessoa física continua tendo que comunicar um preço cheio. É aí que a decisão aparece.
As três reações possíveis
Repassar integralmente. Você mantém a sua receita líquida e sobe a etiqueta. É o caminho aritmeticamente correto e o mais arriscado em conversão, porque o consumidor final não vê "imposto novo", vê "ficou mais caro". Em produto digital, onde a comparação é a um clique de distância, isso pesa.
Absorver. Você mantém o preço e aceita margem menor. Funciona quando a sua margem é confortável e a sua posição no mercado depende de preço. Deixa de funcionar rápido se a alíquota efetiva for alta.
Recompor com o crédito. Esta é a que quase ninguém calcula, e costuma ser a melhor. No modelo novo você se credita do IBS e da CBS de tudo o que compra formalizado: plataforma, tráfego, edição, ferramentas, contabilidade. O aumento na saída é parcialmente compensado pelo crédito na entrada, e o repasse necessário fica menor do que a alíquota nominal sugere.
Onde isso fica diferente para negócio digital
Duas particularidades mudam a conta em relação a um prestador de serviço tradicional.
Seus custos são quase todos digitais e formalizados. Plataforma de vendas, gestor de tráfego PJ, editor, ferramenta de e-mail, hospedagem: quase tudo emite nota. Isso é uma vantagem no modelo de crédito, e é o motivo de a conta do creator organizado tender a ser melhor do que a do prestador que contrata informal.
Seu preço é psicológico, não calculado. R$ 1.997 não é o resultado de uma planilha de custos, é um ponto de ancoragem. Subir para R$ 2.297 porque a alíquota mudou quebra a ancoragem sem que o cliente entenda por quê. Quem depende de preço psicológico costuma preferir recompor pelo crédito e ajustar a oferta, não o número.
Se você está no Simples, respire
Nada disso muda o seu DAS em 2026, e o preço de quem está no Simples e vende para consumidor final tende a ser o menos afetado de todos, porque IBS e CBS podem simplesmente continuar dentro do DAS.
A conta de reprecificação vira relevante para o optante do Simples quando ele opta pelo regime regular, o que só faz sentido em operação com peso de cliente PJ. A escolha e os prazos estão aqui.
O que fazer antes de mexer no preço
Levante quanto dos seus custos vem com nota. Esse número é o que define o seu repasse líquido, e a maioria das pessoas não sabe de cabeça.
Formalize o que dá para formalizar. Fornecedor sem nota deixa de ser apenas risco e passa a ser custo tributário, porque você perde o crédito. Isso muda a conta de "contratar PJ ou informal".
Separe o que você vende. Curso, mentoria, comunidade e material didático não têm a mesma natureza fiscal, e a alíquota efetiva de um pacote misto depende de cada parte estar classificada certo. Precificar um pacote sem saber a composição fiscal dele é chutar. Como a composição funciona na prática.
Não anuncie preço de 2027 ainda. A alíquota de referência é projeção e depende de resolução do Senado. Reprecificar duas vezes custa mais credibilidade do que reprecificar tarde.
Perguntas frequentes
O IVA por fora significa que meu preço vai subir automaticamente?
Não automaticamente. Significa que o imposto passa a ser calculado sobre o preço em vez de estar embutido nele. Se você vai repassar, absorver ou recompor com crédito é decisão sua, e cada caminho tem um efeito diferente na margem e na conversão.
Quando eu preciso decidir isso?
A CBS entra em cobrança efetiva em 2027, então a decisão de preço precisa estar tomada até o fim de 2026. Mas anunciar preço novo agora é prematuro, porque a alíquota definitiva ainda depende de resolução do Senado.
Estou no Simples. Preciso reprecificar?
Provavelmente não, se você vende para consumidor final e mantém IBS e CBS dentro do DAS. A conta muda se você optar pelo regime regular, e essa opção é feita na janela de setembro.
Vender para empresa muda a precificação?
Muda, e a favor. Cliente PJ aproveita o imposto destacado na sua nota como crédito, então o custo efetivo dele é menor que o valor da etiqueta. Isso dá espaço de negociação que não existe na venda para pessoa física.
O crédito realmente compensa o aumento?
Compensa em parte, e o quanto depende da sua estrutura de custos. Quem tem muitos fornecedores formalizados aproveita mais crédito e precisa repassar menos. Quem opera com custo baixo e margem alta aproveita pouco.
Informações com base na Lei Complementar nº 214/2025. Alíquotas definitivas dependem de resolução do Senado. Este conteúdo é informativo e não substitui aconselhamento contábil ou tributário: leve a sua estrutura de custos real ao seu contador antes de mexer em preço.